O Valor, com V maiúsculo, do Barcelona está além de Lionel Messi, de Josep Guardiola, do toque de bola ou da La Masia. Tudo isso – e muito mais – apenas compõe um conjunto de expressões da identidade da marca Barcelona. E essas expressões poderiam ser outras… a ideia não.

 

Há mais de 30 anos, esse clube de futebol – ou més que un club – definiu um modelo de jogo. E decidiu que, ganhando ou perdendo, esse modelo seria mantido. De lá pra cá, aperfeiçoou o futebol dentro e fora de campo. Tornou-se referência.

Hoje, quando falamos em Barcelona, temos uma ideia muito próxima àquela pensada há três décadas. E, a cada dia, essa ideia se torna mais clara, concreta e verdadeira.

Por essas e outras, faz sentido ir além das quatro linhas e comentar tudo isso a partir do universo das marcas. Objetivo deste post…

Para reinício de papo, acredito que marca também é comportamento. E comportamento é ideia mais expressão. Ideiaexpressão. Indivisível (adoraria escrever mais sobre isso…)

COMPORTAMENTO = AÇÕES COTIDIANAS A PARTIR DE UMA IDEIA DE MUNDO

É por essa linha que reforço minha crença de que o comportamento de uma marca (de produto, de time de futebol e até de uma pessoa) pode construir uma ideia de si, sua identidade. E, quanto mais consistente for essa construção, maior será a possibilidade de inspirar e envolver pessoas que compartilham a ideia – e até de convencer os contrários…

Esse é o caso do Barcelona. Aquela ideia inicial tornou-se tão forte e significativa, que transcende esquemas táticos, jogadores e o próprio status quo do futebol mundial. Hoje, dita tendências. Revoluciona.

Identidade. Esse é o Valor com V maiúsculo do FC Barcelona.

Em Julho e Agosto deste ano (2011), assisti a duas conferências – e uma entrevista em vídeo – de grandes pensadores do nosso tempo. Mais do que intelectuais em suas áreas, pessoas de apuradíssimo senso crítico e dotadas de invejável otimismo no futuro da humanidade: Miguel Nicolelis, Edgar Morin e Zygmunt Bauman.

A palestra que mais me chamou a atenção foi a do Nicolelis. Talvez por eu não ter tido, até então, contato com seu trabalho para conhecer o que esse neurocientista brasileiro está planejando para o futuro. E que futuro!

Os conteúdos de Morin e Bauman eu já tinha certa ideia. Li obras de ambos sociólogos e recomendo, principalmente “A cabeça bem-feita – repensar a forma ou reformar o pensamento”,  de Morin e os acessíveis e esclarecedores “Modernidade Líquida” e “Vida Líquida”, de Bauman.

ENTREVISTA ZYGMUNT BAUMAN


Para saber mais a respeito das conferências, acesse o site do projeto Fronteiras do Pensamento.
www.fronteirasdopensamento.com.br

Nos últimos anos, o debate a respeito da mobilidade urbana amplia seu alcance e conquista pessoas cada vez mais interessadas no assunto. Em contrapartida, o poder público, financiado pelo interesse do grande capital, ao invés de priorizar o tema, insiste na manutenção e promoção do status quo.

GRANDE SÃO PAULO

Quando falamos de mobilidade urbana, imediatamente ilustramos o assunto com as dificuldades vividas pelos paulistanos para se locomoverem na cidade de São Paulo: congestionamento de carros, ônibus lotado, linhas de metrô e trem insuficientes e ausência de ciclovias. Entretanto, tais problemas ultrapassam os limites do município e são compartilhados pelos moradores das cidades vizinhas que compõem a metrópole, especialmente Guarulhos e região do ABC.

Em Guarulhos, por exemplo, não há linhas de metrô nem de trem, apesar da localização do maior aeroporto da América do Sul. Não há adequada oferta de linhas de ônibus para grande parte da população que trabalha e estuda na capital. E, além disso, a Rodovia Presidente Dutra – principal rota de ligação entre as cidades – já conta com tráfego intenso de veículos, em horário de pico, nos dois sentidos.

Somam-se a esses fatores, a expansão imobiliária pautada na especulação do mercado e não em planejamento urbano. Essa verticalização irresponsável do espaço público tende a agravar ainda mais o cenário da mobilidade na Grande São Paulo.

Diante desse contexto, fica difícil apostar em mudanças a curto-prazo. O contexto é extremamente complexo e recheado de práticas e interesses obscuros. Ainda assim, poderíamos no mínimo cobrar e estimular ações que estivessem alinhadas a caminhos orientados ao desenvolvimento da cidadania e do direito à Cidade.

UM CAMINHO

Nessa linha, proponho que discurso e prática de mobilidade urbana respondam a algumas premissas. Em primeiro lugar, a avaliação dos problemas e a proposição de soluções e alternativas devem ser conduzidas pela metrópole-como-metrópole, ou seja, em conjunto com as cidades que compõem a Grande São Paulo. Fácil? Não. Certamente um dos principais impasses diz respeito à atual conjuntura dos partidos políticos no país.

Outro ponto de fundamental importância trata do investimento no transporte sobre trilhos (metrô, trem, monotrilho…). Além de potencializar o investimento de tempo e dinheiro, deve-se redobrar a atenção ao cumprimento dos contratos de Parcerias Público-Privada já existentes e reavaliar a continuidade da aplicação desse modelo para futuros projetos. A Linha 4 (amarela) do metrô de São Paulo é um exemplo pertinente que ilustra bem a gestão das PPP, neste caso entre o Governo do Estado e a empresa Via Quatro. O resultado são os atrasos nas obras e a operação parcial, de algumas estações entregues, em horários que não atendem a maioria da população.

A terceira e última premissa se refere ao transporte viário. Enquanto a “revolução sobre trilhos” demanda de longo prazo, uma profunda mudança nas ruas e avenidas pode começar imediatamente, a partir da definição de níveis de prioridade dos investimentos, por exemplo:

Prioridade total: direito ao pedestre usufruir integralmente do espaço público – inclui o acesso irrestrito aos deficientes físicos (cadeirantes, cegos, etc).
Prioridade alta: transporte público (ônibus). Ampliação e construção de novos corredores de ônibus, todos com duas faixas (operação e ultrapassagem) como garantia de velocidade. Revisão das linhas e melhorias no preço e conforto do passageiro.
Prioridade média: adaptação de faixas de automóvel exclusivamente para ciclovia – e não apenas ciclofaixas aos finais de semana ou construídas sobre canteiros centrais ou calçadas.
Prioridade baixa: automóvel: fiscalização da emissão de gases, recapeamento de vias, obras de trânsito para manutenção e de baixo investimento.

Enfim, o grande desafio para o caminho proposto não diz respeito apenas às questões políticas ou de infraestrutura (investimentos). Acredito que a raiz do problema ainda está ligada aos aspectos culturais relativos a antigos símbolos de status e de desenvolvimento, como o asfalto, concreto, o infinito crescimento, o símbolo do automóvel e o sonho americano…

Vamos pensar mais nisso?

O Livro e a América

Castro Alves
Curralinho (BA) 1847 – Salvador (BA) 1871

Combatente da escravidão. O poeta dos escravos.

Talhado para as grandezas,
Pra crescer, criar, subir,
O Novo Mundo nos músculos
Sente a seiva do porvir.
— Estatuário de colossos —
Cansado doutros esboços
Disse um dia Jeová:
“Vai, Colombo, abre a cortina
“Da minha eterna oficina…
“Tira a América de lá”.

(…)

Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber…
Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.

(…)

Bravo! a quem salva o futuro
Fecundando a multidão! …
Num poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goethe moribundo
Brada “Luz!” o Novo Mundo
Num brado de Briaréu…
Luz! pois, no vale e na serra…
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu!…

Outra Janela para costurar saberes.

Para compartilhar vivências, observações e ideias de mundo a partir de outra perspectiva, de outro modo de enxergar, sentir e transformar o que chamamos de realidade.

Vamos juntos.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.